| Poema
de natal
Ercília
Macedo-Eckel*
O
que buscais?
Olhando
para os escombros
das
cidades e das rochas
onde
vossos irmãos foram pulverizados
no
silêncio da noite?
Um
membro foi decepado?
Enxugai
o pranto de vossos ais:
as
vítimas de impulsos diabólicos
ou
de mentes assassinas
levantaram-se
dos sepulcros
em
tochas de açoite contra a violência.
A
gênese esteve de parto e deu à luz
novo
céu e nova terra
cuja
madre se abrirá e gerará
imensa
bondade – mamareis e sereis fartos
nos
peitos da vida, um anjo me disse,
e
as selvas refeitas vos afagarão
sobre
seus joelhos até à velhice.
Não
temais: notícias de alegria
consolidar-se-ão
em Jerusalém, no Iraque, Paquistão,
na
Nigéria, Chechênia, no Sudão...
e
perpetuar-se-ão até à Baixada Fluminense
e
em todo Brasil.
Uma
grande luz brotará das trevas
como
estrela-guia, iluminando os sábios
contra
Herodes, abutre de vosso tempo,
para
que vossos céus não sejam roídos por traças nucleares
nem
vossas vestes minadas de sangue
espargidas
pelos ares.
Os
cetros de ouro dos opressores foram quebrados:
crianças
já pulam do ventre de gerações responsáveis,
multiplicando-se
em saúde incontida
e,
elevando-se de espoliada nação,
enchem
de fartança os famintos da terra convertida
em
espigas tocáveis à baixa mão.
Um
decreto tramita em palácio
para
que todo o mundo saia desarmado
pelas
ruas e pelos campos,
porque
a vida é a luz dos homens.
Um
arcanjo virá sobre os hospitais, presídios, bancos,
jornais,
escolas, mulheres grávidas, nenéns-de-colo, velhos
e mancos,
cobrindo-os
de resplendor de alegria,
de
boa vontade e de paz,
ab-rogando
também o sacrifício de cavalos e de animais pequenininhos
que
não dão mais lucros, nem servem de regalos
nos
páreos humanos...
e
precipitando no abismo o mercenário,
lobo
que abate os rebanhos das fronteiras.
Bondosamente,
vós, operários,
sereis
levados, como formigas obreiras, em espirais,
à
Serra do Resgate.
Mostrar-vos-ão
pedras preciosíssimas,
cristais
resplandecentes
e
atirar-vos-ão canas de ouro
a
fim de medirdes as cidades
de
vidros transparentes,
sem
poluição e de portas abertas
de
dia e de noite.
porque
não haverá mais bandido nem ladrão...
Voltareis
com júbilo dos festins das bateias;
de
vós fugirá para sempre o gemido da servidão:
as
mãos atrigadas e estendidas... de louro cheias.
Das
catedrais de todos os credos subirão orações
perfumadas
de mirra, incensos
queimados
em taças de ouro das multidões
renascidas
do pó
do
novo céu e da nova terra.
No
presépio do mundo brilhará a estrela da paz!
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