| Lóri:
uma aprendizagem
Ercília Macedo-Eckel
Para Clarice Lispector,
soletrando com desvios
O livro dos prazeres.
,imaginando que ele
queria me ensinar a viver em cidade grande, permiti-lhe
que desse vários palpites sobre estar pronta
para mim e para os outros, sobre aprender a ter
alegria e conviver - e até que sugerisse
como deveria me vestir ou embelezar as frutas na
fruteira - das quais a maçã é
minha preferida : redonda de amor da terra, vermelha
de saber do céu e perigosa para a virgindade
de Eva, que sou eu mesma,
então fui ao
encontro de Ulisses e senti terremoto no útero,
abalo no corpo todo, arrebentando cano e veias dentro
de mim e eu num choro mudo, sentei-me debaixo de
uma árvore calma para descansar; eu azul,
azul de crepúsculo e de pornografia dos filmes
explícitos - mulher é pornográfica?
– então,
faz de conta que sou
virgem, faz de conta que imito o mundo e me perfumo
de mim mesma e me envolvo em todos os cheiros há
milênios, faz de conta que não tenho
saudades de minha infância no interior, faz
de conta que me descontrolei e solto todas as minhas
amarras como um animal histérico, faz de
conta que envelhecerei linda e nunca me aproximarei
da morte, faz de conta que tenho o mar, a chuva,
a água, o líquido e o úmido
dentro e fora de mim, num abismo total, faz de conta
que você não me decifra e eu te devoro,
faz de conta que eu sei quem sou, quem é
Ulisses e quem é você, faz de conta
que eu faço milagre todos os dias, lendo
muito, escrevendo e ensinando - professor nunca
se aposenta --- faz de conta que estou plena e não
preciso de ninguém, faz de conta que vai
chover fortemente e alguma coisa vai mudar - terei
uma nova vida com: liberdade, alegria, verdade,
individualidade, revelação de mim
mesma humana e divina, e do Deus divino, nunca humanizado,
mas será dura
a espera, a passagem da secura para o úmido
da chuva, de mim ou dos olhos secos para duas lágrimas
e
meu maior obstáculo
sou eu mesma - sou manca espiritualmente por opção
- não consigo acertar o passo com o mundo,
com as coisas e as pessoas ao meu redor, contudo
continuo sendo, com cheiro de mulher, e doendo,
pensando fundamente na convivência estreita
comigo mesma e com os livros,
porém permaneço
sem suor, sem sede, sem saliva, sem lágrimas,
sem secreção: seca, seca - dor nenhuma,
coração nenhum, angústia nenhuma,
grito nenhum - por enquanto somente faltas e ausências
e farpas sem condições de serem extirpadas;
tudo muito lento e pesado, como elefantes difíceis
de carregar. Deus está seco, vejo ódio
seco no rosto dos miseráveis - não
há chuva, nem menstruação na
face da terra; mas apesar de, é preciso viver,
buscar a luz,
por isso, apesar de,
liguei novamente para aquele número do guardanapo
do bar; apesar de, posso sair para me divertir;
apesar de, ele deve gostar de mim, de minha conversa,
de meu corpo como ele é; apesar de, arrisco-me
a fazer outra viagem e escrever este livro misturando
você e tu / te; apesar de, logo estarei pronta
para amar; apesar de, Cristo viveu, sofreu e ressuscitou
além do Nada; apesar de, sei menos do que
aparento - mas sou protegida por Ulisses e
- Quem é Ulisses?
Esse Ulisses de Lóri
herdou o nome do herói mais célebre
de toda a Antiguidade com significados variados,
como o protótipo de sabedoria, inteligência,
capacidade e habilidade para desviar-se do perigo,
captar o real e vencer as dificuldades com refinamento.
Tinha extraordinária paciência, e domínio
de si. Esse da aprendizagem pensa que sua união
com Lóri fundamentaria sua felicidade. Seria
como o retorno a Ítaca, nesse forte desejo
de voltar para dentro de si mesmo, apropriar-se
da interiorização, reintegrar-se no
mais elevado de seu eu.
Assim, o Ulisses filósofo,
positivo de dimensão interior, pinçado
da Odisséia e da Ilíada,
de Homero - com suas variantes - não deixa
ninguém indiferente. Há longas pausas
entre as falas. O silêncio predominante pode
valer como o último limite de todas as possibilidades
da inteligência. Diria Ulisses: Vou tudo suportar
e sofrer resignadamente, enfrentando o desconhecido,
fundamentado no perigo. Paciência, meu
coração! (Odisséia,
20). E usaria a eloqüência para conseguir
a paz e o amor, depois de muitas provas. Mas o essencial
de suas relações está no feminino.
Lóri é quem passa por duras provas
na aprendizagem do óbvio, embora se protejam
mutuamente:
- Não, meu Ulisses
não é um marinheiro bêbado,
como o do mito para alguns. Meu Ulisses aprecia
apenas uísque, porém sempre me faz
observações: Beba devagar, Lóri.
E não para cair de bêbada ou dar vexame
em público. Meu lado ancestral fica feliz
ao ver uma mulher sóbria, que recusa bebida,
como você. Raro hoje!
Lóri acabou descobrindo,
a caminho do Posto 6, que Lorerei, origem de seu
apelido, vem do folclore alemão - uma personagem
lendária, como as sereias-virgens da Odisséia,
com seus encantamentos para atrair e matar os marujos.
Ulisses telefonará.
- Seria eu uma cantora
mortífera, fazendo Ulisses amarrar-se ao
mastro de sua nau interior ou intelectual - para
defender-se de mim? Não, não pode
ser. É Ulisses quem me seduz, quem me pesca
com sua eloqüência, com sua sabedoria
e inteligência. De vez em quando me ofende,
dizendo que eu sou uma mulher muito antiga, embora
eu aparente estar no rigor da moda. O negócio
dele é: Quem sou eu por dentro? Quem é
você por dentro? Com as devidas desarticulações
e sofrimento, sem atalhos, sem queimar etapas,
O Ulisses do mito tinha
muita curiosidade, parecia querer saber mais através
das sereias que tudo sabem. Eu, contrariamente,
quero aprender tudo com Ulisses. Apropriar-me do
eu dele e ele do meu eu, numa iniciação
recíproca, sendo plenamente nós mesmos
para enfrentarmos os perigos do extraordinário
nas coisas comuns de cada dia. Porém eu,
Lóri, estou sempre adiando o meu retorno,
o meu encontro com meu eu real, como fizera o Ulisses
da Odisséia e variações.
E assim procrastinando, espero – Ulisses telefonará.
Teria eu, na verdade,
esse mistério de esfinge: decifra-me ou te
devoro? Como eu me vejo diante do espelho? Procuro
a verdade mas tenho medo dela. Busco a luz do Deus
para substituir o subterrâneo de minha escuridão.
Porém, ao mesmo tempo, me vejo como fêmea-enigma,
devoradora. Meio animal, meio humana. Então,
ao nascer o sol, banho-me no mar. Experimento o
tempero do sal e testo minha coragem secreta em
atravessar a porta do espelho para o outro lado
de mim mesma, de minha consciência e identidade
pessoal. - atrás da resposta, àquela
velha pergunta: Quem
sou eu?
Ulisses telefonará.
- No posto 6 comecei
a observar os pescadores esvaziando suas redes e
aspirei profundamente o cheiro forte e sensual dos
peixes crus. Senti uma aflição imensa
de viver, absorvendo aquele cheiro de maresia, azulado
de vida e de morte. Sensualidade e libido. Pensei:
Realmente devo ter vindo de uma linha de Loreleis.
O odor dos peixes foi tão intenso que senti
náuseas. Tive a impressão de que iria
desmaiar de tanto amor, ao esvaziar-me também
de mim. Porém meus poderes de sedução
corriam risco de ser anulados pela astúcia
e inteligência de meu herói, presas
ao mastro de sua sabedoria. Mas tenho quase certeza:
Ulisses telefonará.
Sou uma sereia no singular.
Meu canto é emblemático, difícil
de decifrar. Nem eu mesma me sei. Quem sou eu?
Ao contrário
de Ulisses da antiguidade que procurou a feiticeira
Circe para saber de seus companheiros, fui eu, Lóri,
que procurei minha amiga cartomante para me orientar,
pôr-me brios e me mandar erguer bem a cabeça,
pois tenho talentos didáticos e graça
feminina. Disse-me ela: Você deve entrar no
salão de festas sozinha, de cabeça
levantada pensando: Eu me basto. Eis o desafio.
E o desafio, as provas
da aprendizagem podem incluir o bestiário
ou animais fabulosos com as forças do instinto,
do inconsciente, da libido ou de minhas emoções
selvagens, divinas ou cósmicas, em sintonia,
com o ritmo e os ciclos da Natureza. Assim passo
pelo inseto-crisálida/cigarra, pelos elefantes,
cavalo, macaco, esfinge, cão, sereia, peixe,
andorinha, sabiá, até chegar ao tigre
perigoso com uma flecha fincada na carne. Ulisses
telefonará.
Há um cavalo
preto e selvagem galopando dentro de mim, no meu
corpo-casa. Às vezes trota suave e relincha
tanto, que penso ser eu mesma relinchando de prazer,
raiva ou dor. Temo assustar Ulisses com meu bestiário,
herança de minha vida agrária ou rural,
vinda de longe. De meus avós, bisavós,
trisavós, tetravós. Tenho medo de
cair no abismo. Cada dia que passa minha fé
em que o homem se torne realmente um ser humano
diminui ainda mais. Entretanto Ulisses quer que
eu tenha muita fé e coragem até para
cair no abismo, nas profundezas do inferno. Diz
que é lá embaixo, na capacidade de
sofrer, que eu vou encontrar sabedoria, o segredo
das coisas, a grandeza e salvação
de minha vida interior. É uma experiência
de limites, só minha - de me tocar, de me
sentir - antes de tocar no mundo. Tenho que me exorcizar,
devo me limpar, passar por uma prova catártica,
antes de ver a luz.
Eu sou quem? Eu realmente
existo? Qual minha marca, minha identidade na terra?
Estas perguntas, doem fundo.
Ulisses também
exercita-se no retorno para dentro de si mesmo (Ítaca)
e quer que eu, Lóri, faça o mesmo.
Só assim estarei pronta para ele. Eu bordo
e bordo uma toalha de mesa em longas férias
escolares, mas não sou nenhuma Penélope,
tecendo mortalha durante o dia e desmanchando-a
de noite em plano astucioso. Entretanto espero ardentemente
estar pronta para receber Ulisses, antes que ele
desista de mim. Essa viagem para dentro de mim mesma
dói tanto que, às vezes, penso em
desistir. Engraçado! É ele que me
espera com paciência desmedida. Ulisses telefonará.
Na piscina do clube
o silêncio percorreria quilômetros dentro
de mim e de Ulisses, como se anunciasse o prelúdio
de abertura à revelação, aos
grandes acontecimentos. Silêncio por vezes
entrecortado de olhares significativos e poucas
palavras. O sol morria. De seus últimos raios
me veio o encantamento, a vertigem. A realidade
se fragmentou por um segundo. Então vi Ulisses
transparente, viril e lindo de viver. Irreal e verossímil
no silêncio - Sendo! Porém pela pouca
vivência, apesar de cinco superficiais amantes,
o prazer me dava medo. Era irmão gêmeo
da dor e da angústia. Morder uma maçã
escarlate na sua redondez, lisa, fresca, pesada
– era como se entrasse no paraíso em
estado de graça, e de lá saísse
com os olhos esbugalhados de bem e de mal. No entanto
eu existo, experimento-me. Eu me belisco e sei que
existo, que você existe, que nós existimos
para irradiar energia e anunciar o mundo. Mas aquele
estado de graça deve vir de vez em quando,
para eu não viciar como usuária do
prazer. Essa felicidade deve ser momentânea.
A vida e o amor me parecem agora tão espetaculares
e de tal grandeza, que chegam a confundir-se com
a morte.
O mundo está
sendo. O Deus está sendo em sua substância
invisível. Não pode ser um Deus humano,
terrestre. Se for, me colarei nEle. Que aceite meu
corpo, minha alma e minha dor agarrados em seu calcanhar,
como band-aid. Estou sendo, disse também
a árvore sobrevivente. Estou sendo, disse
o trabalhador da favela. Estou sendo, disse o empresário.
Estou sendo, disse o professor. Estou sendo, disse
o funcionário da saúde. Estou sendo,
disse o policial de rua. Estou sendo, disse o estudante.
Estou sendo, disse a criança com seu brinquedo.
Estou sendo, disse a mãe com seu filho vivo
ou morto. Estou sendo, disse o motorista. Estou
sendo, disse o vendedor. Estou sendo, disse a flor.
Também a abelha. Estou sendo, murmurou a
água transparente. Estou sendo, disse a doméstica.
Estou fascinada com o estar sendo, quase hipnotizada
com minha extrema individualidade e com a individualidade
de cada ser - existindo. Este é um grande
passo no caminho da aprendizagem, a página
mais importante do livro dos prazeres.
Houve uma revelação
na vertigem. Da penumbra, do crepúsculo,
veio uma luz tão forte que aparentava amanhecer.
Porque sem luz não há visão,
nem conhecimento do ser. A evolução
das trevas de Lóri para a luz indica seu
progresso individual e sua iluminação
espiritual. Mas Ulisses telefonará,
não serei a mesma,
depois da piscina com ele e de haver entrado no
mar, antes de nascer o sol. Meus olhos permaneceriam
arregalados a noite toda. Senti saudades do que
viria a ser e do que já tinha sido há
milênios. Como a felicidade é momentânea,
aquela noite foi a noite escura dos solitários.
E meu anjo da guarda tinha que ser eu mesma, na
dor de tornar-me humana. Eu-mulher. Finalmente o
sono me pegou. Sonhei. Corpo-a-corpo comigo mesma,
na busca da individualização e totalidade
de meu ser de forma efetiva,
Entro no mar lentamente
e sozinha. Prossigo nas águas desconhecidas.
Minha coragem aumenta. Deixo-me cobrir de ondas.
Tudo líquido, água por dentro, água
por fora, escorregando, fertilizando. Ritual antigo,
ancestral. Agora eu sou eu mesma: ondas me batem
e voltam. Batem e voltam porque sou sólida.
Sou uma nova criatura. Me batizei nas águas
salgadas do mar - por dentro e por fora. Mas não
me esqueço de que o mar é um perigo
tão antigo, quanto ser no mundo.
Até 37/38 anos
de idade eu seguia fielmente a religião de
minha infância, na qual aprendera a ler e
escrever. Depois de muitos transtornos pessoais,
passei para a não-religão. Hoje acredito
e me colo numa força infinita, de sabedoria
inexplicável,
Substantiva, presente
no mundo e nos seres. Também sou minha substância
e nela um fragmento do Deus. Tenho necessidade de
ser em essência o que sou e como sou. Mas
qual é minha substância, meu modo de
ser próprio? Na falta de resposta, me utilizo
de uma máscara - “persona” de
alegria, conhecimento, descontração
e bondade. Porém este disfarce, este ocultamento
e esta maquilagem podem desaparecer a qualquer hora.
Em outras ocasiões, lavo o rosto, miro-me
no espelho e a “persona” está
lá, colada, com cara de macaca, olhando quilômetros
dentro de mim.
- Que há? perguntei-lhe.
- Pensa que ainda estou
de quatro e a inteligência não se manifestou
em mim, mulher-macaca? Confrontei-me. Como é
difícil ser profundamente, sem máscara,
de rosto nu e cara lavada. Melhor tomar uma pílula
de fazer dormir. Ulisses telefonará.
- Você não
sabe estar viva através do prazer, somente
através da dor. Corta vínculos e evita
a multidão. Você deve saber-se e sentir
a dois, ser dois em um. E só será
minha, quando quiser e estiver pronta.
Ela refletiu: As frutas
também passam da hora de ser colhidas. Caem
de poderes. Foi ao encontro de Ulisses, antes que
fosse tarde. Sem máscara. Não estava
mais seca, suava em bica. Lóri pensou: Quem
tem capacidade de sofrer intensamente, também
será capaz de amar intensamente.
Ulisses se ajoelhou
diante de dela como se ajoelhasse diante da Pietà
- de uma santa que tinha sua cabeça (dele)
entre as pernas.
– A porta está
aberta para a liberdade. E eu existo. Você
existe. Ambos somos iniciados. Disse Ulisses.
– Você me
seduziu. Eu mordi a fruta. E me tornei mulher. Deixei
escorrer minha solidão há muito tempo
aprisionada e você nem reclamou do escuro.
Silêncio e perigo da entrega. Uma, duas, três
vezes com alegria, sem alegria. Tenho medo de dormir
enfeitada de estrelas em águas translúcidas
e acordar em águas negras. Silêncio.
Olhei para Ulisses. Ele estava inteiro. Eu é
ele, ele é eu. Nós é um,
de igual para igual. Na soleira da porta para uma
nova vida, pálidos e belos, vivemos e sofremos
de amor. Me segura na terra, para eu não
me levitar!
Lóri diz que
imita o mundo se perfumando cercada de sabedoria
instintiva, quase religiosa dos odores mais variados.
E faz sua aprendizagem desde a terra perfumada com
mil flores esmagadas na fome do existir, até
o cheiro do jasmineiro que exalava o próprio
perfume dela. Lóri animal e vegetal na escalada
de revelações anunciadas (epifanias)
por tantos odores, pela inquietação
das árvores, pela água que molha seu
corpo. Água da piscina, do mar, da chuva.
E muito perfume que antecede as grandes revelações
e redescobertas. Interpretações de
seu apocalipse interior, para que Lóri possa
ressurgir: Sou hoje outra mullher. Gaivotas
trazem a luz do dia. Sabiás voltam aos ninhos
e começam a cantar, apesar de fêmeas.
Andorinhas, que de tão puras não tocam
a terra, anunciam a primavera e a ressurreição,
- Ulisses telefonará.
Pensa Lóri. E acrescentou:
- Minha cor agora é
o vermelho do Eros livre e triunfante: suéter
vermelho para mim e meus alunos, guarda-chuvas vermelhos,
meias de lã vermelha, vinho vermelho, lareira
vermelha. Um fogo interno me come, o externo arde
docemente - como no Soneto de Camões.
Chegou Ulisses:
- Ó mulher minha
– escondendo emoção - ninguém
estará totalmente pronto para a vida e para
o outro. Você, por exemplo, se isola voluntariamente
das pessoas, como ave que se afasta do bando -.
- Ó amado meu,
consegui o impossível de mim, um milagre
nessa dor de existir. Porém continuo, como
você, questionando sobre o Deus. O erro foi
humanizarmos o Divino. Ele não se parece
conosco. Nós é que deveríamos
ser a Sua imagem e semelhança. Você
como filósofo e professor de Filosofia o
que diz?
- O primeiro motor que
não foi movido por ninguém - Ulisses
interrompeu a fala, as vistas se turvaram por um
segundo -… que não foi movido por ninguém
é mistério Se eu disser que Deus não
tem sombra é porque eu penso o seguinte:
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