| Leopoldo
e a via cruz de demoníacos prazeres
Lendo
a sétima e última travessa, do retorno,
de Os cordeiros do abismo, de Maria
Luísa Ribeiro, imaginei que o romance deveria
intitular-se As bestas do abismo. Pois,
como em Apocalipse 13, em cada travessa, parece
que uma das sete cabeças da Besta sobe do
abismo, incorpora Leopoldo (ou o narrador-protagonista),
fazendo vítimas e dizendo palavras insolentes:
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Vi
também o amor fugindo no rastro do
egoísmo de quem canta igrejas. E vi
todas as outrasbestas soltas bebendo vaidades
nos colóquios sociais.
(Travessa Sete, retorno). |
Porém,
como observou Gabriel Nascente no Intróito,
a ironia é sutilmente oculta, do começo
ao fim da narrativa. Não estaria ela também
escondida no próprio título da obra?
A
ideologia pessimista do texto é implícita,
dedutiva. Principalmente através
do protagonista – e de Marina, a partir da
Travessa Sete, ida, - a autora filosofa,
fala de paradoxos, de desvios de conduta, violência,
desamor, hipocrisia, do rio da vida poluído
de modernidade e solidão. A obra enquadra-se
dentro da ficção moderna, cujas conclusões
não são bem definidas para o leitor.
Portanto aberta para várias interpretações.
Inclusive, aqui e ali, esse leitor é convidado
pelo narrador-personagem (ou pela autora transvestida
nele de narrador aperceptivo e implícito)
para interromper a leitura, quando quiser e onde
quiser, a fim de dar opinião sobre o texto,
ou com ele escandalizar-se. E, quem sabe, até
ser autor de uma das travessas ensangüentadas
e, depois, sentar-se na poltrona de leitura, livre
de qualquer suspeita de que seja também um
ser ficcional, uma personagem da narrativa.
(Travessa Três, retorno)
A
estrutura do romance parte dos arquivos de um cartório,
situado na Av. Dias da Cruz, e segue através
de sete travessas: as sete chagas abertas na ida.
Só então o protagonista Leopoldo se
confronta com a própria compulsão
pelas fotografias periciais de vítimas falecidas
e percebe os ilimites de suas excentricidades,
de seus desvios demoníacos. Vislumbra o renascimento,
depois de re/conhecer Marina, na Travessa Sete,
e decide fazer o caminho de volta, servindo-se travessa
por travessa, na tentativa de eximir-se das
culpas, de exorcizar-se do obsceno exposto nas sete
chagas.
Essas
sete travessas da ida (descida ao abismo) mais as
sete travessas do retorno (tentativa de subida,
de volta) perfazem as quatorze estações
da via cruz de Leopoldo. Oxalá consiga ele
para ela (Marina) e por ela renascer
nessa volta.
O
foco narrativo é dividido entre Leopoldo,
o protagonista, na primeira pessoa, e o narrador-personagem,
na primeira e na terceira pessoas, ou nas duas concomitantemente.
Essa contínua mudança de ponto de
vista, ora fora ora dentro da personagem –
ou a fusão de ambas no narrador-personagem
– leva-nos a uma visão diferenciada,
porém globalizante do universo. Vamos considerá-lo
como um narrador de ponto de vista misto, de distância
mutável. Quase imperceptível como
personagem no início das travessas vai se
tornando presente, com participação
na primeira pessoa, à medida que as lembranças
de experiências estranhas avançam,
inclusive interagindo com o leitor (como narrador-aperceptivo),
até ocupar o lugar vago, ao lado de Leopoldo,
na sala de embarque, quando este empreendia fuga
pelo triplo assassinato cometido no final da Travessa
Seis, retorno.
O
diálogo no romance é implícito,
apenas sugerido. A autora foge das fórmulas
padronizadas (travessão, aspas, dois pontos)
para marcar as falas das personagens. Isto mantém
o leitor atento para as interferências dos
narradores, quando a ficcionista funde a narrativa
com os diálogos. E a delicadeza do estilo
e poética da linguagem amenizam (ou fazem
contraste com) a brutalidade das ações
de Leopoldo:
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E
eu tive que acariciar as sementes de orquídeas
e suportar as margaridas enganando o mundo,
acomodadas nos canteiros. E sujo dos enganos,
sete vezes descer, para outras sete tentar
subida lavando-me na bacia dos afetos [de
Marina].
(Travessa Seis, volta). |
Poderíamos
abordar ainda algumas metáforas ou símbolos
ligados às palavras-chave: cheiro, perfume,
cores vermelho e cinza, chapéu ( de Eulália),
lavar-se/ banhar-se, (ablução), piano
(música), rio, orquídea, (eterno)
retorno, o número sete e outros.
A
demonologia presente nesta obra também poderia
ser investigada, a partir de alguns demônios,
além de Lilith, cujos significados estão
também agregados ao enredo, tais como: Asmodeus
– o demônio da ira e da luxúria,
o símbolo da anarquia, que mata os maridos
no dia do casamento, na corte infernal; Belzebu
– senhor das moscas, príncipe dos diabos,
com asas de morcego; Belial – a besta do Apocalipse,
número 666, o anticristo, chefe das forças
do mal; Eurynomous - príncipe da morte que
se alimenta de carniça e de mortos; Jahi
– demônio feminino que introduziu a
menstruação no mundo; Súcubus
– demônio feminino que provoca os homens
durante o sono, que reanima cadáveres os
quais, depois do amor, voltam ao estado de putrefação.
Esse deus se nutre das energias do ato sexual. São
sete demônios no total das sete, ou melhor,
das quatorze travessas percorridas.
Porém
optamos por comentar, ligeiramente, alguns temas
nos limites do fantástico, como:
canibalismo e necrofilia, homossexualismo, neurose
demoníaca, espelho, partes separadas do corpo,
incesto, ventania e bestiário.
Leopoldo,
de certa forma, pratica um misto de necrofilia e
canibalismo do decomposto, de cadáveres e
outros. Comia compulsivamente no banheiro
as vítimas de assassinato, utilizando-se
das fotos arquivadas nos processos. Também
corria atrás dos herdeiros –
viúvos e viúvas – dos falecidos
como se fossem retratos vivos dos extintos.
Por
vezes tinha a companhia do demônio nesse festim
(Travessa Três, ida):
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...
Então estava a vida posta à
mesa para eu, uma vez mais, sentar-me a ela
e, servir-me do banquete hediondo de carnes
e vísceras decompostas. Usaríamos
garfos o demo e eu, para estraçalharmos
de vez a pureza imposta na rota dos contentes. |
A
padaria, pães, bolachas, suco de acerola,
de morango – os alimentos – estão
associados aos encontros amorosos, ao ato de comer
sexualmente, como no filme Nove semanas e ½
de amor, de Adrian Lyne:
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Continuamos
nos encontrando na padaria, até a manhã
em que por vontade própria, sugeriu
que levássemos para sua casa os pães.
Tornamo-nos amantes e ela poderia ter envelhecido
sem desconfiar que sempre fomos três
a nos enganarmos na mesma cama.
(Travessa Um, ida ) |
A
necrofilia alimentava-se dos papéis pardos
do cartório, dos retratos periciais dos cadáveres
que se movimentavam, voltavam ao mundo dos vivos
e do prazer para saciar os ilimites de Leopoldo:
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...
escolhia um dos processos e o escondia no
banheiro. (... ) E os retratos mudavam de
textura, acariciavam-me de tal forma ardentes
que, ali mesmo no piso, gozávamos a
um só tempo, as fotografias e eu.
(Travessa Um, ida ). . |
O
domínio do fantástico abrange também
o escândalo ao utilizar para fins estéticos
experiências consideradas pela sociedade de
valores negativos, como o homossexualismo e perversões
diversas. A relação com as fotos dos
processos, com Eulália (esposa) e Arísia
(viúva de Mauro), no início da narrativa
é heterossexual. Porém, à medida
que na via sacra avança, servindo-se
travessa por travessa, Leopoldo passa a herdar
e saborear os viúvos e viúvas: Orlando,
viúvo de Athina (Travessa Dois); Aurora,
viúva de Rubens Tadeu e o retrato de Rubens
Tadeu (Travessa Três) e Edilberto,
herança de Leonel que havia suicidado
(Travessa Quatro, ida ).
Na
realidade era sempre um amor a três: Leopoldo,
o viúvo ou a viúva e a fotografia
do(a) falecido(a) nos arquivos do cartório.
Diz
o narrador-personagem no início da via cruz
que, aos treze anos, o protagonista experimenta
a maior emoção de sua vida, no balcão
do cartório, ao deparar-se com os seios tesos
de uma mulher que teria a idade de sua mãe
e de cujo perfume nunca se esquecera. A partir daí,
da mancha-mapa no colo e do decote perfumado dessa
mulher, a vida sexual de Leopoldo desandou
para sempre no rumo dos instintos mais perversos
e profanos, ou melhor, no rumo da neurose sexual
demoníaca.
O
desejo sexual exerce sobre o protagonista um domínio
exacerbado acima de qualquer outro valor. E a imagem
daquela mulher perfumada no balcão do cartório
o persegue por toda a vida até reencontrá-la
na Travessa Sete, ida, aproximadamente trinta anos
depois. Essa mulher se chamava Marina. Ou nas suas
visões e alucinações a confundira
com a bacia-fetiche cuja logomarca (da indústria
de esmaltados) era homônima? (Travessa
Seis, retorno).
Nesse
romance o espelho (tema do eu) está
presente em alguns momentos nos quais o sobrenatural
acontece ou se aproxima. Na Travessa Um,
ida, Leopoldo especula sobre haver saído
de seu corpo e entrado no retrato do falecido Mauro,
cuja viúva Arísia ficara muito machucada
para satisfazer as necessidades dessa incorporação:
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Acusado
por ela de ter-lhe corrompido todas as decências
nem pude lhe dizer que era ele (Mauro) e não
eu que tanto a machucara. Debaixo de seus
olhos deformados, olhei-me e constatei no
espelho a minha nudez perdendo forma. Lembrei
que Mauro chegava no fundo do espelho e querendo
me furar os olhos, jurava tomar conta do quarto.
(...) resolvi de vez devolvê-lo à
solidão dos processos. |
Na
Travessa Três, ida, Leopoldo penteou-se
sem sequer se olhar no espelho, talvez porque
no retorno, Travessa Seis, o princípio
(Tarsila), o meio (Aurora) e o fim (Leopoldo, o
filho) seriam assassinados por ele. Não se
mirou porque, inconscientemente, sabia não
conseguir redimir-se das culpas, cicatrizar as sete
chagas, no retorno de sua via cruz.
Outro
motivo fantástico são os olhos (também
tema do eu) do menino Leopoldo (filho),
sempre a perseguir o pai, aparecendo em cada objeto
e que, por vezes, separados do corpo, adquirem vida
própria para, no final, assentarem-se azuis
na estante. E demoniacamente saltarem-se dela (Travessa
Cinco, retorno).
O
olhar do filho (espelho) fez o protagonista ver-se
integralmente, com todos os demônios ali refletidos.
Separados
do corpo também estão o pênis
de Leopoldo, sagrando, depositado no criado (Travessa
Um, volta) e os seios luminosos de sua mãe,
dependurados no teto do quarto, jorrando leite sobre
esse filho de liquidez insana (Travessa Dois,
ida).
Leopoldo
teve emoções e sexualidade mal resolvidas
na infância e, desde então, passa a
buscar sua própria essência, ao tempo
em que alimenta uma espécie de vingança
contra Tarsila, a mãe terrível. Também
chamada de Lilith, a demoníaca, que, atormentada
por uma legião de desejos, promove o ódio
entre os casais (mantém relação
sexual com a nora Eulália), entre as famílias
e nutre o filho com o leite de proliferar demônios.
Até que na Travessa Cinco, ida,
consuma-se o violento incesto, o encontro com
a mãe, acompanhado de riso diabólico
e alegria sádica:
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Depois
do ato, Tarsila irrompeu-se em convulsivo
choro e Leopoldo esvaindo-se em escândalo,
ria como um louco e alcançava mais
uma vez, agora masturbando-se, o topo do prazer.
Com as mãos escorregadias ele imprimiu
um resto de esperma na cara e nos cabelos
dela. Totalmente sem ação, ela
ainda teve que suportar vê-lo ajoelhar-se
na cama, abrir-lhe as pernas e escancarar-lhe
a fenda, chamando-a de mãe. |
No
capítulo O retorno, Leopoldo se
vê diante de um tema-clichê do inquietante
e do insólito, explorado principalmente em
filmes de suspense. São as forças
invisíveis do universo, como o vento, que
invadem o cartório e trazem o cheiro de velas
e flores, prenunciando a morte de Eulália;
levantam papéis e provocam visões
terríveis acerca do lado diferente do protagonista.
E as vítimas da via cruz cobram honras e
gritam impropérios e uma fileira de fantasmas
impede-lhe a saída. Nesse momento Leopoldo
teve muito medo. Provavelmente terror de si mesmo,
dos monstros ou fantasmas que eram ele próprio
brotado, em multiplicidade, dos escombros de cada
travessa percorrida.
O
bestiário presente no romance encarna a regressão
do homem à selvageria e aponta as facetas
de nós mesmos, que recusamos as virtudes
do espírito e desandamos rumo ao animalesco
e à perversão. O lobo em Leopoldo
só tinha razão pela existência
dos cordeiros na margem do rio. Rio esse, o
senhor de seus instintos mais profanos, a escoar
no tempo sem volta o suor da humanidade.
Os
elefantes voadores que na infância pisavam
em Leopoldo enquanto ele dormia (Travessa Três,
ida), agora, no retorno das travessas, parecem conduzir
o peso bruto do mundo visitado. Com suas asas, sugerem
superação das neuroses a fim de que
o protagonista atinja a espiritualização
e a vitória no final de sua via cruz.
Porém
foram vistos pela última vez, enfileirados
e estupidamente iguais, da janela da casa de
Tarsila, a matadora das essências, da espiritualidade
e das virtudes.
Dando
seqüência às variantes do bestiário,
mencionemos a serpente, que em si já é
um tema inquietante e ameaçador. Importa-nos
mais a maneira como essa variante é utilizada
na situação e não o motivo
propriamente dito. Aqui a serpente se multiplica
no escândalo de um parto que rompe a lei natural
das espécies:
Tarsila
(Lilith) pariu serpentes de olhos azuis que se arrastavam
no sofá e vinham alimentar-se em seus mamilos
desnudos. A última gota, o restinho deixado
por elas ficava para Leopoldo, que, naquele momento,
naquela sala, sofria uma angústia imensa
pela ausência do pai falecido ( final da Travessa
Cinco, volta).
Nessa
inversão do maravilhoso (demonologia)
as serpentes rastejam numa escrita não-censurada
e atormentam Leopoldo para que ele não atinja
o lado superior da vida, nesse retorno em que busca
redimir-se das culpas do percurso. Os olhos fulminantes
do menino (filho) saltam da estante ameaçadores
e o protagonista não sabe rezar.
Assim, continuou ele rastejando na neurose demoníaca
rumo ao triplo assassinato: do princípio,
do meio e do fim.
Mãezinha
do céu, eu não sei rezar...
Na
Travessa Seis, volta, Leopoldo desfigurou
os anjos construídos por Francisca (a empregada
da infância), arrancando-lhes as penas, as
plumas e foi dando asas aos bodes na praça
das crianças que perderam suas doces Franciscas.
Os bodes estão associados aos demônios.
E os demônios, como seres sobrenaturais, deveriam
ter asas, à semelhança dos anjos não
decaídos. Então Leopoldo, em perpétua
ereção, entrou de todo na pele de
um daqueles bodes e, com cheiro acre de luxúria,
estuprou a virgem Bertrini.
Mãezinha
do céu, eu não sei rezar... refrão
que se repete no início dessa travessa, mostra
que Leopoldo, apesar da volta, não conseguirá
adentrar o fundo do retorno. Continuará
a ser igual a si mesmo e o que sempre foi: selvagem
e diabólico. Independentemente de haver entrado
de todo e pequeno na pele de um bode ou de qualquer
outro animal.
Leopoldo
carrega nos ombros as características fundamentais
da existência contemporânea: a angústia,
desde a infância, por seu relacionamento com
o mundo dos ternos cinza chumbo no cartório
e com sua mãe sem tempo para ele; o desespero
por seu relacionamento consigo mesmo e com o outro;
o paradoxo por seu relacionamento com Deus e com
o diabo, com quem banqueteia. Porque: com a
permissão do Divino se encaixam o demoníaco
e o humano (Travessa Quatro, ida).
Fazem
parte da literatura existencialista moderna as formas
de protesto contra o otimismo superficial, contra
a hipocrisia e o falso moralismo. Ela expõe
também os aspectos desfavoráveis,
negativos, desconcertantes, pecaminosos e inumanos
de Leopoldo. Aspectos esses desprovidos de qualquer
garantia de estabilidade, de amor e de certeza.
O protagonista oscila entre o ser, o não-ser
e o nada feito de solidão e desamor; entre
Deus e Belzebu, entre o bem e o mal, entre o heterossexual
e o homossexual, entre o vivo e o cadáver,
entre o real e o aparente. Em todas as travessas
está ameaçado pelo não-ser
e pela angústia de ser o próprio
retrato vivo dos processos.
O
nada intrínseca e extrinsecamente na essência
de Leopoldo é a negação da
possibilidade de reconstruir sua humanidade perdida:
Lá no fundo, o nada, feito de solidão,
aqui fora o nada feito de sombras. Em torno dele
(Leopoldo), os outros, também buscando uma
saída para o desamor (Travessa Seis,
ida).
Assim,
a própria estrutura da narrativa em travessas
(estações) com a Via Cruz está
ironicamente de acordo com o arcabouço que
sustenta a existência de Leopoldo (lobo) e
suas vítimas (cordeiros na margem do rio
ou da via). Acrescente-se: nos momentos em que o
protagonista, narrador-sujeito, perde sua essência
e se torna incapaz de ser e de pensar sua existência,
o narrador-personagem, ou a autora escondida em
sua voz, toma-lhe a palavra, reduzindo-o a objeto
da narrativa. É esse narrador-personagem
que abre A via cruz (tipo sumário)
na terceira pessoa, invisível, falando por
Leopoldo e é ele, também, que encerra
a obra na Travessa Sete, retorno, porém
na primeira pessoa, participante, confirmando a
destruição completa da essência
e da existência do protagonista.
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