| Dia
internacional da mulher atuante
Ercília
Macedo - Eckel*
Ao ler livros, revistas ou jornais de mais
de quarenta anos atrás, notamos que as mulheres
de Goiás e do Brasil eram, em grande parte, invisíveis,
do lar, escondidas, ou mostradas em gravuras, fotos
_ mais como seres decorativos que como criaturas
pensantes, presentes no texto, ou agentes de seu
próprio destino.
Porém de quarenta anos para cá, ou depois
do movimento ripe
e da pílula, surgiram estudos, conferências,
disciplinas de ciências humanas ou sociais destinados
a apresentar e divulgar conhecimentos e pesquisas
recentes a respeito da mulher
_ simpósios
acerca da história feminina, crise da maternidade,
do casamento. E também sobre o aperfeiçoamento profissional
e saúde da mulher. Direitos da mulher, etc.
E muita coisa tem acontecido. Não falo do
abandono do sutiã ou da anágua. Nem das bundas-de-fora,
das popozudas, das cachorras-preparadas _
ou do sexo fácil, prazeroso, explícito. Falo da
mulher na Universidade, na Empresa, na Indústria,
na Informática, na quadra de Esporte, no Armazém,
no balcão da Loja, ou do Bar, nas Academias Femininas
de Letras e Artes, na publicação de Revistas Científicas
e de Economia, nas bancas de Feiras Livres, vendendo
seus produtos. Falo da mulher atuante no trabalho,
como Motorista de ônibus, caminhão, à frente de
um trator, ou na Administração de uma fazenda. Também
na favela, arrancando com suor e sangue o pão de
cada dia para seus filhos.
A concentração de mulheres em carreiras ou
atividades antes consideradas femininas está diminuindo.
Hoje, há homens e mulheres: professores, enfermeiros,
costureiros, cabeleireiros, cozinheiros, engenheiros,
veterinários, agrônomos, médicos, dentistas, azulejistas.
Homens e mulheres. Homens e mulheres repórteres.
Embora as mulheres ainda sejam menos remuneradas
nessas mesmas profissões. E façam elas duas jornadas:
uma fora e outra dentro de casa, quando voltam do
serviço. É preciso dividir as obrigações com o marido!
Afinal, ambos se cansam, inclusive no cuidado com
os filhos. Porque filho também é assunto e trabalho
de homem. Ou não?
Em todo o mundo a conquista pela mulher do
próprio direito de voto é quase recente, na longa
caminhada da emancipação feminina. Um direito, mas
terá ela se servido dele? Quantas mulheres ainda
há sem Carteira de Identidade, CPF e Título de Eleitor?
Por quê? Se, mesmo analfabetas, podem votar...Mas
não vendam o voto! Pois muitas analfabetas são mais
politizadas que doutores. Votem certo conforme sua
vontade. E voltem à escola, rapidinho.
Mulher também fala em público e não deve
ficar apagada na política. Nós decidimos eleições,
somos maioria nas urnas. Pelo amor de Deus: não
votem porque Ele
é um gato. Mas porque parece menos corrupto
e mais competente.
Não pregamos que as mulheres devem competir
com os homens, mas que o poder dentro ou fora de
casa não seja uma prerrogativa masculina e que nossas
tentativas de exercer e dividir poder não sejam
ironizadas e motivo de piadinhas de mau gosto.
A mulher livre para escolha e ação pode contribuir
enormemente na
educação, no governo, votando e sendo eleita,
promovendo mudanças nas leis que discriminam e oprimem;
no comércio,
atuando na renda familiar, _ com a participação
masculina no
trabalho doméstico _ abolindo
a idéia de que lugar
de mulher é em casa,
de preferência na
cozinha...
Destacando-se no
âmbito social, recusando-se a ser categorizada
ou apresentada sem identidade própria, sem nome.
Apenas como Senhora X. Esse Xis é o sobrenome
do marido. A mulher deve também exigir seus direitos
nas práticas
médicas, não aceitando cirurgias desnecessárias,
ou contra seu gosto, e estando atenta às prescrições
de calmantes, tranqüilizantes, como se histérica
fosse _ deixando de lado as causas reais de seu
desconforto. E, ainda, exigindo anestesia no parto
das pacientes sem recursos. Fazendo – se presente
no atletismo,
atividades esportivas, lutando por direitos iguais
na participação, patrocínio e salário. Nos
meios de comunicação, indo às estações de rádio,
canais de tevê, à redação de jornal... entrando
na internet _ participando, elogiando, colaborando,
criticando, sugerindo _ como agente de mudanças
que somos ou devemos ser, na comunidade.
Em Goiás, tivemos e temos várias mulheres
brilhantes, em todos os setores descritos acima.
Porém precisamos de mais forte atuação da mulher,
ao lado
do homem, para o bem comum. Eu disse: ao
lado do homem (não violento), nosso fiel companheiro,
e não contra o homem.
Em qualquer trabalho ou atividade aceitável
a mulher deve ser ativa, atuante, participativa,
não apenas passiva _ deixando estar, para ver como
é que fica. Fofocando... Olhando a banda passar...
E esperando o homem resolver tudo sozinho. A mulher
deve ser colaboradora idônea: defronte do homem,
ou do lado dele. E ambos em sentimento profundo.
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